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  1. TÍTULO: O Meu Pé de Laranja Lima
    AUTOR: José Mauro de Vasconcelos
    ANO: 1968
    EDITORA: Melhoramentos
    EDIÇÃO: 


    SINOPSE: Zezé é um garoto de cinco anos, cheio de imaginação. Ele é famoso no bairro onde mora por conta de todas as travessuras que apronta. Sobe em todas as árvores, brinca com morcegos e é capaz de visualizar um jardim zoológico inteiro no fundo de um simples quintal. Mas Zezé também é motivo de muita dor de cabeça, principalmente para seus pais, irmãos e vizinhos. Ele apronta de tudo: desde entrar sorrateiramente no quintal da vizinha para roubar goiabas até fazer cobras assustadoras com um pé de meia velha.

    Contudo, a situação financeira na família de Zezé não vai nada bem. Com o pai desempregado por conta da idade já avançada e os vários meses de aluguel atrasado, a família é obrigada a se mudar. Mas a nova casa reserva ao pequeno Zezé uma incrível surpresa. Ele descobre, no fundo do quintal, um pequeno pé de laranja lima, que acaba se tornando seu amigo, confidente e companheiro de aventuras.




    O primeiro romance de José Mauro de Vasconcelos foi "Banana Brava", de 1942, onde abordou o mundo dos homens do garimpo. A obra, contudo, não alcançou bons resultados na época, apesar de algumas críticas favoráveis. Já "Rosinha, Minha Canoa", de 1962, marca seu primeiro sucesso. O livro "Meu Pé de Laranja Lima", de 1968, seu maior sucesso editorial, traz muito da experiência pessoal do autor para retratar o choque sofrido na infância com as bruscas mudanças da vida. Foi escrito em apenas doze dias. "Porém estava dentro de mim há anos, há vinte anos", disse ele em uma entrevista.

    O livro é muito bem escrito. Como é uma narrativa em primeira pessoa, é inevitável o envolvimento com o protagonista. E por falar nele, Zezé é um garoto incrível! Já sabia ler aos cinco anos de idade, sem que ninguém lhe tivesse ensinado. Quer dizer, há quem diga que o garoto aprendeu com o diabo, já que Zezé parece ser afilhado do tinhoso, e que é por isso que faz tantas travessuras, roubando frutas no quintal dos vizinhos, ou deixando de cabelo em pé os outros a sua volta com suas conclusões tão inusitadas sobre a vida.

    Contudo, não podemos evitar sentir pena dele também. Por conta dessas constantes travessuras, Zezé sempre acaba apanhando, chegando mesmo a ficar, em determinado ponto da história, imobilizado por alguns dias. O que nos deixa com o gosto da injustiça na boca é que, em vários momentos, o castigo que ele recebe não é merecido, como quando ele canta um trecho de uma canção cuja letra fala de nudez ou quando se recusa a ir jantar enquanto não termina seu balão. Zezé faz essas coisas sem um pingo de maldade, sem nem ao menos saber o significado das palavras que canta ou sem a intenção de desobedecer alguém. A surra que recebe, quase sempre, é de cortar o coração e, se não tivesse sido salvo em tempo por Godóia, poderia mesmo ter morrido.

    Quando fiz este resumo, ainda não tinha assistido ao filme lançado recentemente, nem à novela ou ao seriado de anos anteriores, mas acho que fica claro que o Pé de Laranja Lima, que conversa com Zezé e o apoia em todas as suas deduções e travessuras, é ninguém além dele mesmo. Isso confere ao personagem um ar meio solitário, o que torna ainda mais impossível não se afeiçoar ao pequeno. E é justamente essa afeição que permite que a gente vislumbre todo o mundo através de seus pequenos olhos.

    Um exemplo é o personagem Portuga, que a gente começa detestando e, posteriormente, amando tanto quanto Zezé. O final da narrativa é surpreendente. Triste e comovente, é verdade, mas também belo e delicado, principalmente pelas palavras finais do nosso pequeno e arteiro protagonista.

    Me encantei com o livro. É como uma laranja mesmo: meio doce, meio azedo, mas gostoso a cada gomo, e surpreendentemente breve. Concedo ao livro CINCO CANECAS, e saúdo José Mauro de Vasconcelos por toda sua sensibilidade e habilidade com a arte das palavras.

               

    E você, já leu o livro? Então deixe nos comentários as suas impressões sobre a obra. Se ainda não leu, a gente recomenda, vale muito a pena!


    Grande abraço,
     e boas leituras!

  2. O PACIFISTA, de John Boyne

    quinta-feira, 9 de maio de 2013


    TÍTULO: O Pacifista (The Absolutist)
    AUTOR: John Boyne
    ANO: 2012
    EDIÇÃO: 


















    SINOPSE: O livro narra a história de Tristan Sadler, um jovem inglês que, aos 21 anos, é um dos poucos sobreviventes aos horrores da Primeira Guerra Mundial. Tendo se alistado mais cedo, aos 17 anos, Tristan se junta a dezenas de jovens que, como ele, têm de honrar seu compromisso com seu país.

    Tristan embarca para um campo de treinamento em Aldershot, onde permanece por dois meses. Lá, ele conhece William Bancroft, que se torna seu amigo e combatente na Grande Guerra. Enquanto narra ao leitor todos os detalhes sombrios de uma guerra que não era sua, Tristan também revela os detalhes e sentimentos de sua conturbada relação com Will, desde o campo de treinamento militar, onde se conheceram, até o período de horror que vivenciaram nas trincheiras ao norte da França.

    Em Setembro de 1919, três anos depois do fim da guerra, Tristan ainda é atormentado por toda a dor e desespero vivenciados no campo de batalha. Entretanto, nada disso se compara ao peso de um terrível segredo que ele carrega sempre consigo, um segredo que Tristan espera exorcizar ao visitar Marian Bancroft, a irmã de seu mais do que amigo, Will.





    Você provavelmente vai se lembrar de John Boyne por "O Menino do Pijama Listrado""O Garoto no Convés" ou ainda "O Palácio de Inverno". Seu novo livro, "O Pacifista", chega ao Brasil pela editora Companhia das Letras dando continuidade à repercussão mundial do autor.

    A história é bem original, principalmente por seu desfecho. Entretanto, como leitor, devo dizer que fiquei um pouco cansado da narrativa em alguns pontos. Pareceu-me que o autor queria preencher mais as cenas e, por isso, estendeu algumas delas. A forma como ele faz isso é que é o grande problema. Em alguns diálogos entre Tristan e Marian, por exemplo, muitas coisas são ditas desnecessariamente, pelo menos em minha opinião. Se o autor queria dar ênfase à personalidade dos protagonistas, poderia ter escolhido uma forma melhor de exemplificar isso.

    O livro trata da questão da homossexualidade, que é expressa através do personagem Tristan. Contudo, já que o autor se dispôs a abordar essa temática, podia ter explorado melhor as cenas em que ela acontece. Quero dizer, não precisava descrever o ato sexual ou as trocas de carinho, mas quando estas acontecem, Boyne se limita a dizer que aconteceram, sem dar ênfase ao momento. Antes do primeiro contato entre Tristan e Will, todos os movimentos dos dois protagonistas indicam que eles têm interesse um pelo outro - na verdade, Tristan demonstra muito mais do que o Will. Mas quando o primeiro beijo dos dois acontece, o autor simplesmente encerra a cena, sem nem ao menos usar a palavra "beijo" ou mesmo descrever melhor os sentimentos dos personagens. 

    "Estendendo as duas mãos, segura meu rosto entre elas e me puxa para junto de si. Em meus devaneios, quando imaginava essa cena, sempre pensei que ela ocorreria de forma oposta, eu segurando-o e ele me repelindo, denunciando-me como degenerado e falso amigo. Mas agora não fico chocado nem surpreso com sua iniciativa, tampouco sinto a grande urgência que esperava sentir caso o momento chegasse. Pelo contrário, tudo o que ele faz comigo, tudo o que deixa acontecer entre nós, parece-me perfeitamente natural."

    Uma coisa que eu achei interessante é que, apesar de trabalhar com flashbacks (ora no tempo em que Tristan combateu na guerra, ora durante sua visita à Marian Bancroft), o livro não possui capítulos, e sim várias cenas dentro das partes em que está dividido.
                
    Não posso dizer que o final é previsível, muito pelo contrário. Das histórias que já li envolvendo a temática da guerra, achei que essa foi bastante original. Entretanto, achei também que foi um tanto fraca na descrição das emoções dos personagens. O segredo de Tristan, por exemplo, pelo desenrolar da narrativa, não parece atormentá-lo tanto quanto deveria, principalmente considerando os atos finais do personagem.
               
     De uma forma geral, gostei do livro. Empolguei-me com a leitura e, por isso, concedi ao livro TRÊS CANECAS, o que o classifica como “Bom”.