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  1. O PACIFISTA, de John Boyne

    quinta-feira, 9 de maio de 2013


    TÍTULO: O Pacifista (The Absolutist)
    AUTOR: John Boyne
    ANO: 2012
    EDIÇÃO: 


















    SINOPSE: O livro narra a história de Tristan Sadler, um jovem inglês que, aos 21 anos, é um dos poucos sobreviventes aos horrores da Primeira Guerra Mundial. Tendo se alistado mais cedo, aos 17 anos, Tristan se junta a dezenas de jovens que, como ele, têm de honrar seu compromisso com seu país.

    Tristan embarca para um campo de treinamento em Aldershot, onde permanece por dois meses. Lá, ele conhece William Bancroft, que se torna seu amigo e combatente na Grande Guerra. Enquanto narra ao leitor todos os detalhes sombrios de uma guerra que não era sua, Tristan também revela os detalhes e sentimentos de sua conturbada relação com Will, desde o campo de treinamento militar, onde se conheceram, até o período de horror que vivenciaram nas trincheiras ao norte da França.

    Em Setembro de 1919, três anos depois do fim da guerra, Tristan ainda é atormentado por toda a dor e desespero vivenciados no campo de batalha. Entretanto, nada disso se compara ao peso de um terrível segredo que ele carrega sempre consigo, um segredo que Tristan espera exorcizar ao visitar Marian Bancroft, a irmã de seu mais do que amigo, Will.





    Você provavelmente vai se lembrar de John Boyne por "O Menino do Pijama Listrado""O Garoto no Convés" ou ainda "O Palácio de Inverno". Seu novo livro, "O Pacifista", chega ao Brasil pela editora Companhia das Letras dando continuidade à repercussão mundial do autor.

    A história é bem original, principalmente por seu desfecho. Entretanto, como leitor, devo dizer que fiquei um pouco cansado da narrativa em alguns pontos. Pareceu-me que o autor queria preencher mais as cenas e, por isso, estendeu algumas delas. A forma como ele faz isso é que é o grande problema. Em alguns diálogos entre Tristan e Marian, por exemplo, muitas coisas são ditas desnecessariamente, pelo menos em minha opinião. Se o autor queria dar ênfase à personalidade dos protagonistas, poderia ter escolhido uma forma melhor de exemplificar isso.

    O livro trata da questão da homossexualidade, que é expressa através do personagem Tristan. Contudo, já que o autor se dispôs a abordar essa temática, podia ter explorado melhor as cenas em que ela acontece. Quero dizer, não precisava descrever o ato sexual ou as trocas de carinho, mas quando estas acontecem, Boyne se limita a dizer que aconteceram, sem dar ênfase ao momento. Antes do primeiro contato entre Tristan e Will, todos os movimentos dos dois protagonistas indicam que eles têm interesse um pelo outro - na verdade, Tristan demonstra muito mais do que o Will. Mas quando o primeiro beijo dos dois acontece, o autor simplesmente encerra a cena, sem nem ao menos usar a palavra "beijo" ou mesmo descrever melhor os sentimentos dos personagens. 

    "Estendendo as duas mãos, segura meu rosto entre elas e me puxa para junto de si. Em meus devaneios, quando imaginava essa cena, sempre pensei que ela ocorreria de forma oposta, eu segurando-o e ele me repelindo, denunciando-me como degenerado e falso amigo. Mas agora não fico chocado nem surpreso com sua iniciativa, tampouco sinto a grande urgência que esperava sentir caso o momento chegasse. Pelo contrário, tudo o que ele faz comigo, tudo o que deixa acontecer entre nós, parece-me perfeitamente natural."

    Uma coisa que eu achei interessante é que, apesar de trabalhar com flashbacks (ora no tempo em que Tristan combateu na guerra, ora durante sua visita à Marian Bancroft), o livro não possui capítulos, e sim várias cenas dentro das partes em que está dividido.
                
    Não posso dizer que o final é previsível, muito pelo contrário. Das histórias que já li envolvendo a temática da guerra, achei que essa foi bastante original. Entretanto, achei também que foi um tanto fraca na descrição das emoções dos personagens. O segredo de Tristan, por exemplo, pelo desenrolar da narrativa, não parece atormentá-lo tanto quanto deveria, principalmente considerando os atos finais do personagem.
               
     De uma forma geral, gostei do livro. Empolguei-me com a leitura e, por isso, concedi ao livro TRÊS CANECAS, o que o classifica como “Bom”.

             



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